A aprovação do fim da escala 6x1 representa uma conquista importante para os trabalhadores, mas também indica que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia ter avançado antes e com mais ousadia na redução da jornada de trabalho.
A avaliação é do sociólogo Ricardo Antunes, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele lembra que a mobilização pelo fim da escala nasceu da luta dos próprios trabalhadores, e não de uma iniciativa original do governo.
"É uma conquista muito importante da classe trabalhadora brasileira e nasceu da luta concreta do que eu denomino como novo proletariado de serviços. Aquela parte do trabalhador que trabalha a partir da explosão da privatização do setor de serviços, que vive em condições de trabalho proletarização', disse.
"E essa proposta não nasceu do governo Lula. Ela veio de um jovem trabalhador do setor de serviços, das farmácias, que tinha uma jornada exaustiva, sem descanso, e que resolveu utilizar as redes sociais para dizer que não é possível ter uma classe trabalhadora que não tem descanso, que trabalha ilimitadamente."
A mobilização nacional começou quando o então balconista Rick Azevedo, eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, publicou um desabafo nas redes sociais, em setembro de 2023.
Em Brasília, ganhou tração quando Erika Hilton decidiu transformá-la em proposta legislativa.
Antunes lembra que o governo Lula ficou um tempo sem assumir a bandeira do fim da jornada e avalia que o cenário eleitoral contribuiu para acelerar sua adesão.
Apesar da popularidade da pauta, o petista inicialmente evitou assumir protagonismo no início. A cautela se devia ao fato de o presidente ainda não ter dialogado com o empresariado sobre o assunto.
A virada no discurso aconteceu ainda em 2025. No 1º de Maio daquele ano, o petista sinalizou pela primeira vez apoio político à pauta.
"Isto vai certamente ser um ganho da vitória do Lula nesta campanha", afirmou Antunes. Para o sociólogo, Lula deve aproveitar a conjuntura para ir além. "É o momento que o Lula tem pra tentar tomar outras medidas mais ousadas", declarou.