Conflitos em Honduras deixaram pelo menos um morto

Pelo menos uma pessoa morreu e outras três foram baleadas durante uma manifestação de simpatizantes do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, em Tegucigalpa, na madrugada desta quarta-feira.
Em entrevista à BBC Mundo, o chefe de polícia José Danilo Orellana confirmou a morte, embora não tenha fornecido maiores informações sobre a identidade da vítima ou o modo como ocorreu o incidente.
Orellana apenas indicou que a morte ocorreu “em um bairro, durante uma manifestação de seguidores do presidente (Manuel) Zelaya, que arrombaram um supermercado para roubar”.
O policial afirmou também que algumas pessoas foram presas durante o conflito, mas ele não soube informar o número.
Toque de recolher
Nesta quarta-feira, o governo interino de Honduras suspendeu temporariamente o toque de recolher imposto no país inteiro desde a última segunda-feira, quando Zelaya voltou a Tegucigalpa.
O toque de recolher voltou a vigorar às 17 h (horário local, 20h de Brasília).Segundo o governo, a medida tinha como objetivo de permitir que a população compre alimentos em supermercados e vá até agências bancárias.
De acordo com o jornal hondurenho El Heraldo, logo depois do anúncio, muitos habitantes da capital Tegucigalpa saíram às ruas e foram registradas filas em supermercados, postos de gasolina e bancos.
Segundo a imprensa hondurenha, apesar do toque de recolher, foram registrados saques em supermercados, lojas e agências bancárias na última madrugada.
Lula
Em Nova York, durante a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo pela volta de Zelaya à Presidência do país e pediu atenção à segurança da embaixada brasileira em Tegucigalpa, que continua cercada por forças hondurenhas e onde está abrigado o presidente deposto de Honduras.
"A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha", disse Lula, sendo em seguida bastante aplaudido pelos líderes presentes na sede da ONU.
<span><link type="page"><caption> <span xml:lang="pt-br">Leia também na BBC Brasil: Comunidade internacional exige volta de Zelaya ao poder, diz Lula na ONU</span></caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090923_lula_un_cq.shtml" platform="highweb"/></link></span><span xml:lang="pt-br"/>
Em entrevista exclusiva à BBC Brasil nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também afirmou que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, não vai usar a embaixada brasileira na capital hondurenha como instrumento político para convocar simpatizantes.
“Isso não vai acontecer”, disse Amorim à BBC Brasil, em Nova York.
Também falando com exclusividade à BBC, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse que o governo brasileiro conta com o respaldo de toda a comunidade internacional na sua atuação na crise política de Honduras.
"O governo do Brasil está atuando bem e atuou com o respaldo de toda – toda com letras maiúsculas – a comunidade internacional", disse.
O Departamento de Estado americano confirmou que o governo interino de Honduras fez um convite a um grupo de chanceleres de países da OEA para que viajem a Tegucigalpa a fim de participar das negociações para solucionar a crise.
“O ministro das Relações Exteriores do regime de facto, Carlos Lopez Contreras, convidou publicamente um grupo representativo de ministros da OEA para irem a Tegucigalpa para promover o diálogo”, disse Ian Kelly, porta-voz do Departamento do Estado.
Kelly não deu mais detalhes sobre o convite ou sobre quando essa visita vai ocorrer.
Diálogo
Na noite da última terça-feira, o governo de Micheletti afirmou, por meio de um comunicado, que está disposto a dialogar com Zelaya, desde que ele se comprometa com a realização de eleições marcadas para o fim de novembro.
Micheletti afirmou, entretanto, que a volta de Zelaya ao poder – como querem os negociadores internacionais e o Brasil – não é um objetivo negociável.
<span><link type="page"><caption> <span xml:lang="pt-br">Leia também na BBC Brasil: Micheletti diz que está pronto para negociar com Zelaya</span></caption><url href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/09/090923_honduras_4a_pu.shtml" platform="highweb"/></link></span><span xml:lang="pt-br"/>
Pouco depois, em entrevista à rádio Globo de Honduras, Zelaya respondeu afirmando que a oferta de diálogo de Micheletti é uma "manipulação" e afirmou que o líder do governo interino "não tem vontade de solucionar a crise política do país".
"Eles devem deixar de manipular a opinião pública, eu vim aqui para que o diálogo seja direto", disse Zelaya, que ainda afirmou que não há "igualdade para todos" nas eleições de 29 de novembro.
Na última terça-feira, o governo interino de Honduras solicitou à embaixada do Brasil que defina o status político de Manuel Zelaya como refugiado político ou o entregue à justiça hondurenha.
Micheletti também acusou Zelaya de incitar a violência entre a população de Honduras.


















