Com acomodação da economia, Brasil segue tendência mundial

Mesmo os Estados Unidos, que apresentaram uma leve melhora no 3º trimestre, frustraram os analistas com um PIB menor do que o esperado para o período.
Legenda da foto, PIB do Brasil no 3º trimestre subiu 6,7% em relação ao mesmo período de 2009
    • Author, Fabrícia Peixoto
    • Role, Da BBC Brasil em São Paulo
  • Published

O crescimento mais moderado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no 3º trimestre, com alta de 6,7% sobre o mesmo período do ano passado, coloca o Brasil na mesma tendência de acomodação verificada nas principais economias do mundo.

Da União Europeia ao Japão, passando por México, China, India e Rússia – diversos países registraram uma expansão menor de julho a setembro.

Mesmo os Estados Unidos, que apresentaram uma leve melhora no 3º trimestre, frustraram os analistas com um PIB menor do que o esperado para o período.

Ainda que as consequências da crise financeira continuem influenciando resultados, os economistas ressaltam que essa não é a única razão da “acomodação generalizada”, acrescentando que “nuances” da freada também devem ser consideradas de acordo com a situação de cada país.

“A situação no Brasil, por exemplo, está longe de ser tão dramática como nos Estados Unidos”, diz Alex Agostini, economista-chefe da agência de risco Austin Rating.

A economia americana cresceu 3,2% na comparação com o 3º trimestre de 2009 (2% em termos anuais), o que foi considerado pouco para um país cujo desemprego chega a quase 10% e com dificuldades para incentivar o consumo.

Agostini lembra que, no Brasil, o cenário tem sido outro, com um nível de consumo acima do potencial e desemprego em queda, chegando a 6,1% em outubro.

“Aqui no Brasil, a acomodação do PIB é, na verdade, uma boa notícia, um sinal de que a economia está voltando a um patamar mais equilibrado”, diz o economista da Austin Rating.

Segundo ele, o crescimento menor no Brasil ainda é reflexo da retirada dos estímulos fiscais colocados em prática pelo governo, no auge da crise, e representa um retorno “natural” ao potencial do país.

Emergentes

Principal economia emergente, a China está em uma situação similar à brasileira. O país asiático cresceu 9,6% de julho a setembro – resultado mais fraco que o registrado no 2º trimestre, mas que também foi bem recebido tanto pelo governo como pelos mercados.

Assim como o Brasil, os chineses estão mais preocupados com o excesso de consumo, ou seja, com a inflação, do que propriamente com um crescimento menor do PIB.

A inflação já é hoje o principal problema da economia indiana, outro país emergente que também registrou uma acomodação do PIB no 3º trimestre, com um crescimento de 8,9% em relação ao mesmo período do ano passado.

O banco central indiano vem elevando a taxa de juros como forma de desaquecer a economia, cuja inflação chegou a 8,5% ao ano.

Já a Rússia está em uma situação diferente na comparação com os outros BRIC. Apesar de também ter apresentado um PIB menor no último trimestre, o país acabou crescendo muito pouco no período, com 2,3% de alta.

Enquanto China, Índia e Brasil tentam frear o consumo, os russos amargam um trimestre de pouca atividade, sobretudo em função de uma forte seca que destruiu cerca de 1/3 de sua safra de grãos.

Recuperação

O professor Rogério Sobreira, da FGV-Rio, diz que os Estados Unidos enfrentam uma recuperação “mais lenta e incerta”, mas que a situação da União Europeia “é ainda pior”.

“Existe ainda uma crise de confiança em relação a alguns países europeus, inclusive com a possibilidade de que a crise possa voltar a piorar”, diz o professor, lembrando os casos de deficit fiscal na Irlanda e na Grécia.

Ele ressalta ainda que a Europa tem uma composição “heterogênea”, com grandes diferenças entre os países do continente.

Enquanto a economia alemã cresceu 3,9% no trimestre, a da Grécia encolheu 4,5% e a da Islândia, 8,6%.

Dentre os países que mais cresceram no 3º trimestre, segundo levantamento da Economist Intelligence Unit, estão Cingapura (+10,3%), Vietnã (+7,2%) e Chile (+7,0%).