
Manifestantes contrários a Mubarak montaram barricadas na Praça Tahrir
O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, anunciou que o filho de Hosni Mubarak, Gamal Mubarak não concorrerá à Presidência - uma das principais exigências feitas pelos manifestantes contrários ao governo.
Analistas e a maioria dos egípcios acreditavam que Gamal Mubarak estava sendo preparado para suceder o pai. A declaração de Suleiman foi a primeira oficial de que isso não acontecerá.
Em um pronunciamento em rede nacional de TV na terça-feira, Mubarak disse que não concorreria às eleições presidenciais de setembro, mas não mencionou seu filho.
O anúncio foi feito no décimo dia de protestos nas ruas de várias cidades do Egito. Na capital, Cairo, manifestantes contrários ao governo contra-atacaram grupos de partidários de Mubarak, forçando-os a deixar algumas das ruas próximas à Praça Tahrir, palco de violentos confrontos entre os dois grupos na quarta-feira.
Ambos os lados atiraram pedras e foram ouvidos tiros. O Exército, que tentava separar os dois lados, parece ter perdido controle das multidões. Ao menos oito pessoas morreram e mais de 890 ficaram feridas nos protestos de quarta-feira, os mais violentos desde o início das manifestações. A ONU estima que mais de 300 pessoas tenham morrido desde o início dos protestos no país, no dia 25 de janeiro.
Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro do Egito, Ahmed Shafiq, pediu desculpas à população pelos violentos confrontos ocorridos terça-feira no Cairo.
"Este é um erro fatal", disse Shafiq à rede privada de TV Al-Hayat. "Quando as investigações revelarem quem está por trás deste crime e quem permitiu que ele ocorresse, eu prometo que eles serão responsabilizados e punidos pelo que fizeram."
"Não há qualquer desculpa possível para atacar manifestantes pacíficos, e é por isso que eu estou pedindo desculpas", afirmou o premiê, que pediu ainda que os participantes dos protestos "vão para casa e ajudem a encerrar esta crise".
Tiros
Segundo um dos enviados da BBC ao Cairo, Ian Pannell, manifestantes arremessaram coquetéis molotov durante a madrugada e soldados deram tiros ao alto para tentar conter a multidão. Manifestantes também atearam fogo a diversos pontos da praça.
Clique Veja na BBC Brasil fotos dos choques no Cairo na quarta-feira
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O empresário Ibrahim Kamel, um dos principais apoiadores de Mubarak, disse à BBC que não se sente responsável pela violência da quarta-feira, mesmo tendo feito um pedido público para que partidários do presidente fossem às ruas para se manifestar.
"Eu não perdoo o que ocorreu na praça, de maneira alguma. É algo que nós não podemos aceitar enquanto egípcios. Mas eu não posso aceitar que o Egito seja representado somente pelas pessoas na praça", disse Kamel.
"As reportagens da BBC e de toda a imprensa estrangeira no Egito infelizmente estavam transmitindo uma ideia para o mundo inteiro que a multidão na Praça Tahrir era o Egito. Não, lamento dizer que eles não são o Egito", afirmou.
Há relatos de diversos jornalistas de fora do Egito que acabaram agredidos, verbal ou fisicamente, ou que tiveram equipamentos confiscados.
O enviado da BBC a Alexandria Wyre Davis afirma que está ficando cada vez mais difícil para ele, como jornalista estrangeiro, trabalhar na cidade, a segunda maior do país.
Ele diz ter sido agredido e atacado verbalmente duas vezes nos últimos dois dias enquanto tentava fazer reportagens em vídeo nas ruas de Alexandria.

Manifestantes pró-Mubarak invadiram a praça com cavalos
"Existe raiva e tensão dos dois lados, não somente com a crise política, mas também devido à situação econômica cada vez pior aqui", afirmou.
Toque de recolher
Em pronunciamento à TV estatal do país, o recém-nomeado vice-presidente do país, Omar Suleiman, disse ainda que só iniciará negociações com a oposição quando os protestos conta o governo terminarem.
"(Para o) diálogo com as forças políticas da oposição é necessário que as demonstrações acabam e as ruas egípcias voltem ao normal", disse ele.
Suleiman, que ocupava o posto de chefe da segurança, foi nomeado vice-presidente na semana passada, no que analistas dizem ter sido uma medida adotada pelo governo de Hosni Mubarak para apaziguar os ânimos dos opositores.
O vice-presidente pediu para que os manifestantes "voltem para suas casas e obedeçam ao toque de recolher".
"Os participantes nas manifestações já transmitiram suas mensagens, tanto pedindo reformas ou dando apoio ao presidente Hosni Mubarak."
Clique Leia mais na BBC Brasil sobre o pronuciamento de Mubarak
Um dos hoteis onde estava hospedado um grande número de jornalistas estrangeiros foi fechado nesta quinta-feira.
Segundo a gerência do hotel, todos os hóspedes deveriam deixar o local, que fica em frente à Praça Tahrir. Os administradores do hotel não quiseram dizer de quem veio a ordem de evacuação. Segundo jornalistas que estavam hospedados no local, militantes pró-Mubarak tentaram entrar no hotel e fizeram ameaças à imprensa.


