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Enquanto seguem nesta quinta-feira os conflitos entre manifestantes pró e contra o governo do Egito no centro do Cairo, o novo vice-presidente do país, Omar Suleiman, disse que convidou o principal movimento oposicionista egípcio, a Irmandade Muçulmana, para dialogar.
Entretanto, segundo Suleiman – que concedeu entrevista à TV estatal egípcia –, os membros do grupo estariam hesitantes" em relação ao convite.
A Irmandade Muçulmana, o maior e mais organizado grupo de oposição no Egito, é oficialmente proibida, mas tolerada pelo governo, e seus integrantes concorrem em eleições como independentes.
Analistas dizem que a abertura de um diálogo com o grupo representa uma grande mudança de postura do governo.
Saída de Mubarak
Suleiman rejeitou as exigências dos manifestantes de dissolução do Parlamento, afirmando que este é necessário para avaliar o tema das reformas constitucionais e disse que as eleições presidenciais devem ocorrer em setembro, como originalmente planejado.
"O presidente não se candidatará, nem seu filho", disse ele, referindo-se a rumores que há anos circulam no Egito de que Gamal Mubarak poderia suceder seu pai, o presidente Hosni Mubarak.
O vice-presidente, que até a semana passada ocupava o cargo de chefe da inteligência, pediu tempo para que o governo possa atender as exigências dos manifestantes.
Ele disse ainda que "pedir pela saída de Mubarak é pedir pelo caos" e que a "intervenção externa em nossos assuntos é estranho, inaceitável e algo que não permitiremos".

Suleiman ocupava o posto de chefe da Inteligência
Suleiman disse que o país perdeu pelo menos "US$ 1 bilhão em turismo nos últimos nove dias" e que um milhão de turistas deixaram o país desde o início dos tumultos, na semana passada.
Violência
Nesta quinta-feira, foram registrados novos confrontos no Cairo entre os grupos a favor e contra Mubarak - embora sem a mesma intensidade do dia anterior.
Às 17h (horário local, 13h de Brasília), o palco dos confrontos parecia ter mudado da Praça Tahrir para a ponte adjacente, a 6 de Outubro, e eles seguiam violentos.
Manifestantes pró-Mubarak pareciam estar em um número ligeiramente menor do que os contrários ao governo, porém mais bem armados e aparentemente disparando rojões contra os adversários.
Pouco antes do início destes confrontos, o Exército retirou seus blindados das proximidades da praça, aparentemente abrindo espaço para os choques entre os dois grupos.
O correspondente da BBC Paul Danahar afirmou ter visto pessoas jogando pedras umas nas outras e ter ouvidos tiros na Praça Tahrir.
Mais cedo, os manifestantes contrários a Mubarak haviam erguido barricadas no centro do Cairo, reforçando suas posições após os confrontos da quarta-feira.
Os milhares de manifestantes anti-Mubarak afirmam que as declarações feitas pelo presidente na terça-feira - de que não tentará a reeleição, mas seguirá no poder até setembro - seriam insuficientes. Eles querem a saída imediata do presidente.
Há relatos de diversos jornalistas de fora do Egito que acabaram agredidos, verbal ou fisicamente, ou que tiveram equipamentos confiscados.
Também nesta quinta-feira, a empresa britânica Vodafone, que opera celulares no Egito, disse que o governo egípcio a forçou a enviar mensagens de texto anônimas, pró-governistas, aos seus clientes no país.
A Vodafone disse que a atitude é inaceitável e vem ocorrendo desde o início dos protestos, na semana passada.
A empresa disse que as mensagens deveriam ser claramente atribuídas ao governo.




