Centenas de milhares fazem maior protesto em Londres desde 2003

Crédito, BBC World Service
Mais de 250 mil pessoas participaram neste sábado em Londres de um protesto contra os cortes de gastos e as medidas de austeridade promovidas pelo governo britânico, no que é considerado o maior protesto ocorrido no país em oito anos.
O número foi muito superior à previsão anterior de 100 mil. O policiamento foi feito por 4,5 mil homens da Polícia Metropolitana.
Os protestos foram os maiores desde os contrários a guerra do Iraque em 2003.
Manifestantes caminharam de Embankment até o Hyde Park, passando pelo Parlamento.
Entre os participantes do comício, esteve o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband.
“Os Tories (Conservadores, partido do governo) me aconselharam a não vir, mas sinto orgulho de estar aqui. Existe sim uma alternativa”, disse Miliband.
Ministros do governo afirmam que os cortes de gastos são necessários para controlar as finanças públicas, e cobram de seus opositores que apresentem uma alternativa a estas medidas.
Violência
O evento apresentou alguns episódios de volência. Pequenos grupos atacaram lojas e bancos, na região de Picadilly.
A polícia prendeu 202 pessoas e 35 ficaram feridos, incluindo cinco policiais.
Manifestantes acenderam uma fogueira em Oxford Circus e objetos foram arremessados contra o hotel Ritz
“Infelizmente temos um grupo de cerca de 500 indivíduos cometendo algum tipo de desordem”, disse o porta-voz da polícia Bob Broadhurst.
Antes da manifestação, já havia preocupações em relação a violência e desordem. Vários grupos utilizaram fóruns na internet para convocar a ocupação de prédios na região do West End londrino.
O analista politico da BBC Brian Wheeler, presente na manifestação, disse que muitas famílias e idosos compareceram, com a atmosfera, em geral sendo benigna, embora com certo tom de raiva.
“A multidão vaiou ao passar pelo Número 10 (a sede do governo, em Downing Steet), mas de forma geral a manifestação foi pacífica e amigável”
Argumentos
O maior sindicato envolvido no protesto, o Unite, afirma que o número de seus filiados que queria participar da manifestação era tão grande que não foi possível encontrar ônibus suficientes para levar todos a Londres.
"A nossa alternativa é focar no crescimento econômico por meio de justiça tributária", disse à BBC o secretário-geral do Unite, Len McCluskey.
"Se o governo fosse corajoso o suficiente, ele acabaria com a evasão fiscal que rouba dos contribuintes um mínimo de 25 bilhões de libras (R$ 66,5 bilhões) por ano".
O ministro da Educação, Michael Gove, afirma que entende a raiva dos manifestantes, mas defendeu os cortes.
"A dificuldade que temos, com o governo herdando uma terrível bagunça econômica, é que temos que dar passos para colocar as finanças em equilíbrio", afirma.


















