Manifestantes contra impeachment vão às ruas em várias cidades do Brasil

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Grupos contra o impeachment de Dilma Rousseff foram às ruas em diversas cidades do país nesta quinta-feira, convocados por movimentos sociais e centrais sindicais. No auge dos prostestos, a organização estimou que eles reuniram cerca de 705 mil pessoas, enquanto a Política Federal calculou que haviam 137 mil.

Em cidades como São Paulo, Rio, Brasília, Teresina e Maceió, manifestantes deram início a marchas, carregando faixas do PT, balões da CUT (Central Única dos Trabalhadores), bandeiras do Brasil e gritando frases como "Não vai ter golpe". Também houve atos no início da tarde em algumas cidades.

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Em São Paulo, a pedagoga Neuma Silva disse que participa do protesto para que "1964 não se repita"
Legenda da foto, Em São Paulo, a pedagoga Neuma Silva disse que participa do protesto para que "1964 não se repita"

Em São Paulo, o protesto ocorre na Praça da Sé, centro da cidade, desde as 17h. Ruas ao redor da praça foram tomadas por manifestantes – muitos carregando cartazes dos movimentos sociais, estudantis e de sindicatos de diversas categorias, além de balões da CUT (Central Única dos Trabalhadores).

Diante da catedral, lideranças sindicais discursavam em carros de som, e havia um forte policiamento. Organizadores estimaram que havia 60 mil pessoas na praça - a estimativa da polícia foi de 18 mil.

A pedagoga Neuma Silva, de 63 anos, contou ao repórter da BBC Brasil Rafael Barifouse que participa do protesto para que "1964 não se repita".

"Não podemos perder a democracia e o país que conquistamos com tanta luta. Não somos partidários. Mas tenho sim muito orgulho de ser presidida por ela, uma mulher. Ela não está envolvida em corrupção. A Justiça está punindo só um lado. Tem que punir a todos", disse.

Rui Falcão, presidente nacional do PT, e Nadia Campeão, vice-prefeita de São Paulo, também participaram do protesto.

"Cada dia, nossa luta cresce um pouco mais em defesa do Brasil dessa conspiração que estão fazendo no país, e já percebemos que é o povo na rua que vai garantir a resistência e a vitória. Nossos deputados já estão nos defendendo no Congresso naquela comissão fraudulenta mas sabemos que naquele congresso a dificuldade é muito grande. Patrões colocaram anúncio pelo impeachment porque sabem que o que vem pela frente é governo contra os pobres e pelas privatizações. Vai ter luta!", disse Nádia.

Em Brasília, a concentração do protesto foi no Estádio Mané Garrincha. De lá, os manifestantes se dirigiam até o Congresso Nacional.

Os manifestantes majoritariamente usavam camisetas vermelhas e gritava palavras de ordem a favor do governo
Legenda da foto, Os manifestantes majoritariamente usavam camisetas vermelhas e gritava palavras de ordem a favor do governo

O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, disse. "É importante que a presidenta Dilma veja. Aqui no gramado da Esplanada não tem empresário, não tem banqueiro, não tem elite. É para este povo que está aqui que a presidenta tem que olhar na hora de governar: esse povo não aceita pagar a conta da crise. Quem tem que pagar e o andar de cima, são os sonegadores", informou o o repórter Ricardo Senra.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) também foi ao ato: "Falam que o Brasil está a favor do impeachment. Brasil? O Brasil está aqui hoje e em diversas cidades lutando contra o golpe."

Um pouco mais cedo, a puxadora de um carro de som gritou para a multidão: "No dia da votação (do impeachment), nós vamos todos estar aqui de novo. Pode consertar o carro, pode alugar um ônibus, pode vir até de jeque. Vamos enfrentar os golpistas e dizer: Dilma fica."

O ativista Pablo Capilé também foi ao protesto em Brasília. "Estamos aqui em união aos (integranges do Movimento) Sem Terra, Sem Teto, estudantes, todos em torno da democracia e dos direitos sociais, que PMDB e companhia querem tirar do povo."

Rio

No Rio, os grupos se reuniram no Largo da Carioca, no centro da cidade. Os manifestantes majoritariamente usavam camisetas vermelhas e gritava palavras de ordem a favor do governo.

Aos gritos de "quem não pula é golpista", líderes em um carro de som animavam os manifestantes, informou o repórter Jefferson Puff. A multidão também interacalava gritos de "Fora Cunha" e "não vai ter golpe".

No Rio, os grupos se reuniram no Largo da Carioca, no centro da cidade
Legenda da foto, No Rio, os grupos se reuniram no Largo da Carioca, no centro da cidade

Muitos grupos também carregavam faixas com dizeres de defesa à democracia e contra o que consideram golpe. No início da tarde, houve uma outra manifestação pró-governo na Praça 15.

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Para a professora de História Maria Alice Vidal, de 52 anos, o que ocorre no Brasil neste momento é um golpe
Legenda da foto, Para a professora de História Maria Alice Vidal, de 52 anos, o que ocorre no Brasil neste momento é um golpe

Para a professora de História Maria Alice Vidal, de 52 anos, o que ocorre no Brasil neste momento é um golpe. "Em 1964 foi um golpe militar. Agora, é do Judiciário, mas de qualquer forma é um golpe", diz.

A jornada de protestos desta quinta-feira tem, até o início da noite, dimensão menor em comparação à última grande manifestação pró-governo, em 18 de março, quando centenas de milhares de pessoas se reuniram várias cidades brasileiras dos 26 estados e do Distrito Federal.

Na ocasião, em São Paulo, a Paulista foi tomada, e o protesto teve a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.