Nem Lula, nem Flávio Bolsonaro 'têm estômago' para reforma que Brasil precisa, diz Economist

Published
Tempo de leitura: 3 min

A revista britânica The Economist publicou uma reportagem na quinta-feira (22/10) afirmando que "a estranha economia do Brasil precisa de uma reforma séria" mas que "nem Lula, nem Flávio Bolsonaro têm estômago" para isso.

O agregador de pesquisas da BBC News Brasil mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) dois pontos à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto para presidente no segundo turno, na eleição que será realizada no domingo.

A reportagem diz que "democratas de todo o mundo estremeceram" quando Flávio Bolsonaro — "filho de um ex-presidente conspirador para um golpe de Estado" — ficou na frente de Lula no primeiro turno. Mas, segundo a publicação, "capitalistas também tremeram, mas de entusiasmo".

"Esse foi um veredito contundente sobre a condução econômica de Lula. O crescimento do PIB superou as previsões (pessimistas), o desemprego está baixo e a inflação manteve-se próxima à faixa de 1,5% a 4,5% estabelecida como meta pelo Banco Central do Brasil (BCB)", diz a Economist.

"No entanto, seu descaso com as contas públicas e sua retórica hostil ao setor empresarial assustam os mercados. O superávit primário (ou seja, antes do pagamento de juros) que ele herdou transformou-se em déficit, e o FMI projeta que a dívida pública atingirá 97% do PIB este ano, ante 84% em 2022."

Já Flávio Bolsonaro é comparado a Javier Milei, o presidente argentino que promoveu reformas pró-mercado no seu país "com algum sucesso" mas também "com muita dor", segundo a Economist, destacando promessas do senador de reduzir o número de ministérios, digitalizar o setor público e vender prédios do governo federal.

Mas para a revista, essa reforma prometida pelo senador "é implausível — ele teria sorte se conseguisse metade da economia prometida com tais ajustes".

"Seria preciso um fervor genuíno, ao estilo de Milei, para enfrentar os problemas econômicos do Brasil — problemas que decorrem de uma combinação complexa de gastos públicos elevados, inflação persistente e baixa taxa de poupança."

A Economist afirma que um dos problemas principais do Brasil é o alto custo para se tomar empréstimos no país, fruto das altas taxas de juros e dos altos gastos públicos.

A revista afirma que nenhum governo recente atacou o problema dos altos gastos públicos, e que Lula não foi diferente.

"A única saída para essa confusão é o ajuste fiscal — o famoso 'aperto de cintos'. Isso reduziria a inflação, diminuiria a taxa de juros real e liberaria capital para usos produtivos", diz a Economist.

"A equipe de Bolsonaro fala, em tom reservado, sobre reformas, mas o próprio candidato rejeitou mudanças no sistema previdenciário ou nos mecanismos de indexação."

"Se Lula protagonizar uma virada surpreendente no segundo turno, é improvável que ele subitamente se torne um defensor do rigor fiscal", diz a revista.

A Economist afirma que "qualquer presidente teria dificuldade em convencer três quintos dos membros de ambas as casas do Congresso — quórum necessário para desmontar as amarras constitucionais que impulsionam os gastos".

"O mercado talvez prefira Bolsonaro a Lula; mas, seja quem for o eleito, o resultado acabará sendo uma decepção", conclui a reportagem.