Soldados israelenses são mortos em ataque de supostos atiradores palestinos na Cisjordânia

    • Author, Tom Bennett
    • Role, BBC News
    • Reporting from, Jerusalem
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  • Tempo de leitura: 3 min

Dois soldados israelenses foram mortos a tiros por dois supostos atiradores palestinos na Cisjordânia ocupada, informou o Exército israelense.

Três israelenses ficaram feridos no ataque. Os suspeitos foram mortos, segundo as autoridades.

O incidente ocorreu em um posto de controle militar, na entrada da cidade de Hebron.

Em resposta, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou ter ordenado que o Exército do país prepare um lockdown completo da Cisjordânia, a partir desta sexta-feira (23/10).

O ataque ocorreu em um momento de alta tensão, por causa dos ataques de colonos judeus extremistas contra palestinos durante a colheita anual das oliveiras na Cisjordânia e a quatro dias das eleições gerais de Israel.

Filmagens verificadas pela BBC mostram um intenso tiroteio entre os soldados e os suspeitos.

O Exército de Israel declarou ter encontrado uma grande quantidade de munição no veículo dos atiradores. Eles acreditam que a intenção era realizar um ataque muito maior na Rota 35 próxima dali, mas que eles ficaram presos no posto de controle. Por isso, teriam decidido abrir fogo naquele local.

Imagens de circuito fechado não verificadas mostram dois homens saindo de um carro, armados com o que parece ser uma pistola e um fuzil de assalto. Nas imagens, eles começam a atirar nos soldados no posto de controle e recebem disparos de volta.

O ataque já começou a influenciar a campanha eleitoral que está em andamento.

Netanyahu construiu sua campanha com base em promessas de segurança. Ele afirmou que seu partido, o Likud, iria cancelaria os eventos de campanha programados para a manhã desta sexta-feira.

O primeiro-ministro também visitou o local do ataque na tarde da sexta (23/10), afirmando que Israel está pronto para "ações extensas" na Cisjordânia.

O parceiro da sua coalizão de extrema direita, Bezalel Smotrich, convocou Israel a lançar uma campanha na Cisjordânia "exatamente igual à de Gaza ou do Líbano". Já o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, também de extrema direita, pediu que Israel desmantele a Autoridade Palestina.

Na quinta-feira (22/10), o ministro das Relações Exteriores israelense, Israel Katz, acusou os líderes da oposição de minarem o governo, ao criticar os alertas de Netanyahu sobre um possível ataque antes da eleição. Katz afirmou que os oposicionistas seriam "responsáveis" por eventuais ataques futuros ao país.

Os líderes da oposição, incluindo o favorito Gadi Eisenkot e o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, ofereceram suas condolências aos feridos e elogiaram os soldados que mataram os suspeitos pelo ataque.

O Exército israelense declarou ter iniciado batidas nas casas dos suspeitos e Smotrich afirmou ter ordenado a demolição de diversas construções palestinas ao lado do local do ataque.

Demolir as casas de palestinos suspeitos de realizar ataques a israelenses é uma prática comum das forças de Israel. E já se esperava a imposição de lockdown na Cisjordânia para a eleição de segunda e terça-feira (26 e 27/10), segundo a imprensa israelense.

Pelo menos 96 palestinos foram mortos por forças militares ou colonos israelenses na Cisjordânia desde o início do ano, segundo as Nações Unidas. E quatro israelenses, civis e militares, foram mortos por palestinos no mesmo período, também segundo a ONU.