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Lulinha, Luchsinger e Lava Jato: o que realmente pesa contra Lula?

Crédito, REUTERS/Adriano Machado
No domingo (18/10), no primeiro debate frente a frente do segundo turno, os candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), passaram boa parte do primeiro bloco trocando acusações de corrupção sobre os próprios candidatos e também alguns de seus parentes.
Flávio, por exemplo, citou a lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. Já Lula cobrou explicações sobre os R$ 134 milhões negociados pelo senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, supostamente para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
No debate, o petista desafiou Flávio a abrirem os sigilos bancário e telefônico de ambos e de seus familiares, se o senador fizer o mesmo. Na terça-feira (20/10), ele protocolou a autorização de abertura de sigilo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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"Fiz questão de colocar meus cinco filhos porque toda eleição se inventa uma coisa contra minha família e eu resolvi não ficar quieto. Essa é minha última disputa eleitoral e não posso deixar que um ladrão tente jogar minha biografia no lixo", afirmou o petista.
"Isso é em defesa da minha honra, da honra da minha família e, sobretudo, na defesa desse país, que não pode ter um ladrão governando esse país."
Mas o que de fato pesa contra o presidente e seus familiares?
Atualmente, o presidente Lula não responde a acusações na Justiça. As principais condenações que ele enfrentou, como o caso do tríplex do Guarujá e o sítio de Atibaia, originados na Operação Lava Jato, foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Mesmo assim, as investigações que atingiram o petista e seu entorno pesam na sua imagem com o eleitorado.
Lula disputa a Presidência da República contra Flávio Bolsonaro no domingo (25/10).
A quatro dias das eleições, o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil mostra a distância entre Flávio Bolsonaro e Lula.
Entenda a seguir o que aconteceu com as condenações de Lula na Lava Jato e as suspeitas que rondam Lulinha, seu filho.
Lava Jato
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Fim da Promoção Agregador de pesquisas
Lula enfrentou uma série de acusações na Operação Lava Jato. Hoje todos os procedimentos estão encerrados ou suspensos. Isso aconteceu por três caminhos: absolvição, anulação por violação de direitos do acusado e arquivamento.
Houve absolvição, por exemplo, na denúncia em que ele, Dilma Rousseff e outros integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) eram acusados de organização criminosa. A absolvição sumária veio em dezembro de 2019, após o próprio MPF pedir esse desfecho.
Nos casos mais conhecidos, o do triplex do Guarujá e o do sítio de Atibaia, Lula chegou a ser condenado. Mas os processos foram anulados ou interrompidos porque a Justiça entendeu que houve ilegalidades contra o Lula.
No primeiro, o petista foi acusado de receber uma cobertura no Guarujá, cidade no litoral paulista, do grupo OAS, como um suposto acerto por desvios de recursos da Petrobras durante o governo petista.
No segundo, Lula foi acusado de ser beneficiado por obras realizadas por OAS e Odebrecht em um sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, que pertencia a um amigo seu e que o então ex-presidente frequentava com sua família. Também nesse caso, a força-tarefa da Lava Jato dizia que essas benfeitorias foram bancadas com dinheiro desviado da estatal.
Em ambos os casos, a defesa de Lula argumentava que os dois imóveis jamais pertenceram a ele. Os advogados também afirmaram que não havia qualquer prova concreta de que as obras foram pagas com dinheiro desviado da Petrobras, já que essas acusações se baseavam na palavra de delatores ou de outros réus do processo, que estariam tentando se beneficiar na Justiça ao acusar Lula.
O caso do triplex foi julgado por Sergio Moro, então juiz e hoje senador pelo PL, eleito governador do Paraná no primeiro turno das atuais eleições. O caso do sítio foi julgado pela juíza Gabriela Hardt.
As duas condenações foram confirmadas depois pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4). No caso do triplex, isso ocorreu ainda em 2018, o que tornou Lula inelegível naquela eleição. Ele também foi preso naquele ano porque o STF autorizou a prisão após condenação em segunda instância.

Crédito, Ricardo Stuckert/Divulgação
Em 2021, o STF anulou as condenações. O ministro Edson Fachin reconheceu que a vara de Curitiba não seria a jurisdição correta para o processo. A Segunda Turma, e depois o plenário, consideraram que Moro agiu com parcialidade no caso do triplex, extensão depois aplicada ao do sítio. O petista ficou preso 580 dias antes de as condenações serem anuladas.
Com o retorno à estaca zero, o prazo estabelecido na legislação penal para possível punição dos crimes, caso Lula fosse considerado culpado, terminou. E, quando não há mais possibilidade de punição, as acusações são arquivadas definitivamente.
Ou seja, Lula não pode mais ser julgado nos casos do triplex e do sítio de Atibaia.
Lula, então, pode ser considerado inocentado da Lava Jato?
O termo "inocentado" não existe dentro da linguagem jurídica e é usado de forma coloquial. Dentro das normas jurídicas, uma pessoa acusada pode ser condenada ou absolvida.
Operação Zelotes
Lula virou réu em 2017 por tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da Operação Zelotes, acusado de favorecer montadoras por meio de uma medida provisória em troca de doações ao PT.
A acusação era de que Lula teria editado uma MP em 2009 para favorecer algumas empresas do setor automotivo em troca de propina que, segundo o Ministério Público Federal (MPF), teria sido de R$ 6 milhões para o custeio de campanhas eleitorais do partido.
A defesa do então ex-presidente argumentou que não havia provas. A Justiça Federal absolveu Lula em 2021.
O juiz Frederico Botelho de Barros Viana, da 10ª Vara Federal, concluiu que não havia evidências mínimas que comprovassem a participação de Lula no esquema. Outros réus também foram absolvidos na mesma decisão.
Lulinha

Crédito, AFP via Getty Images
Ainda que Lula não figure como investigado, suspeitas envolvendo seu filho mais velho, Lulinha, pressionam a campanha do presidente. No debate da Band, Flávio Bolsonaro acusou o governo do petista de "roubar" os aposentados, em referência ao escândalo do INSS.
Atualmente, Lulinha, como é conhecido, vive com a família em Madri, na Espanha. Ele entrou nos holofotes por ser alvo de três inquéritos no STF, abertos a pedido da PF e autorizados em julho e agosto.
Os inquéritos apuram suspeitas de tráfico de influência: o possível favorecimento de uma empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", na venda de derivados de cannabis ao Ministério da Saúde; a suspeita de beneficiar empresários em contratos da Dataprev; e suposta atuação de um grupo para favorecer empresas no governo federal.
O nome de Lulinha surgiu no âmbito da Operação Sem Desconto, quando testemunhas disseram ter ouvido que Antunes fez pagamentos a Lulinha, incluindo R$ 25 milhões e uma "mesada" de R$ 300 mil. Pelo relatório da CPMI, o relato é de um ex-empregado de Antunes e não há confirmação documental pública.
Lulinha admitiu que acompanhou Antunes em uma viagem à Portugal em 2024 — com hospedagem e passagens pagas por Antunes — para visitar uma fábrica de produção de cannabis medicinal. Mas Lulinha disse não ter recebido nenhum pagamento do empresário. Sua defesa afirma que ele desconhecia as atividades de Antunes com o INSS.
Em março, a CPMI do INSS rejeitou, por 19 votos a 12, o relatório do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), que pedia o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Lulinha, e sua prisão preventiva. Gaspar é da oposição e foi acusado de agir politicamente — hoje ele é candidato a vice na chapa de Flávio.
Os inquéritos envolvendo Lulinha estão correndo no STF. Em agosto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu que fossem enviados à primeira instância.
O argumento é de que, como não ocupa cargos políticos com foro privilegiado junto ao STF, não haveria motivos para que as investigações tramitassem no Supremo. A Corte, no entanto, ainda não deferiu o pedido.
No debate presidencial, Lula afirmou que acredita na inocência do filho. Ele também já disse, anteriormente, que o caso tem que ser apurado.
Já a defesa de Lulinha disse à BBC News Brasil que não responderá a "questões de fatos e de mérito feitas com base em relatórios iniciais da polícia" e que "a inocência de Fábio será provada primeiro no lugar adequado, que é o processo".
O caso envolvendo Lulinha tem outro personagem também próximo ao presidente Lula: o seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
Ele apareceu no radar da PF durante as investigações de suposto tráfico de influência, depois que investigadores identificaram que ele teria tido despesas pagas por uma lobista próxima a Lulinha.
Marcola deixou o cargo em julho e nega ter repassado a minuta de contrato enviada pela lobista. Na ocasião, Lula disse que a relação gerava suspeita no Planalto e que, se ele errou, responderia por isso.
Roberta Luchsinger

Crédito, Reprodução/@RoLuchsinger via X
A empresária Roberta Moreira Luchsinger é outro nome que tem sido explorado pelos adversários políticos de Lula.
Também alvo das investigações, ela é apontada como amiga próxima de Lulinha e elo entre ele e Antunes, sendo suspeita de ter intermediado pagamentos para o filho do presidente. Lula não figura como investigado nesses inquéritos.
Luchsinger concedeu uma entrevista à CNN Brasil no sábado (17/10), em que afirmou estar disposta a tentar um acordo de delação premiada. No canal, a lobista acusou a PF de agir para proteger Lulinha.
Ela passou a ser investigada pela Polícia Federal nos últimos dois anos no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS.
Roberta também está sendo investigada para apurar suspeitas de que atuou de forma irregular, fazendo lobby de empresas interessadas em obter contratos com o governo federal.
Segundo levantamento do Estadão com base na Lei de Acesso à Informação, ela esteve 42 vezes em órgãos do governo federal entre o início do terceiro mandato de Lula, em janeiro de 2023, e abril de 2024.
Em 41 dessas ocasiões, as visitas não apareceram nas agendas oficiais das autoridades.
Em algumas dessas visitas, Roberta estava acompanhada de empresários ou de pessoas próximas a Lulinha.
Em dezembro de 2025, foi alvo de uma operação de busca e apreensão.
Um dos pontos que levaram Roberta ao radar da PF foi sua relação financeira com o "Careca do INSS". Segundo os investigadores, empresas ligadas a Antunes fizeram cinco pagamentos de R$ 300 mil para uma empresa de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão.
A atuação de Roberta junto ao governo também é um dos elementos que ajudam a explicar o interesse da PF em suas relações com Lulinha.
Uma das linhas investigadas pela PF é verificar se Lulinha teria atuado para facilitar a autorização, pelo governo, da comercialização de cannabis medicinal.
Em depoimento à PF em maio, segundo informações divulgadas pelo UOL, ela afirmou que prestou serviços para Antunes relacionados à regulação do mercado de canabidiol e que foi remunerada por esse trabalho.
Disse ainda que, quando conheceu o lobista, não sabia das suspeitas que posteriormente surgiriam contra ele. Nos últimos meses, sua defesa vem argumentando que a empresária estaria sendo alvo de uma perseguição.
Além das movimentações financeiras, a PF ainda investiga o conteúdo das comunicações de Roberta e Antunes.
Ao longo da entrevista à CNN Brasil, Roberta fez várias queixas sobre Lula. A empresária, no entanto, não apresentou informações novas sobre as investigações em curso.
O presidente disse à TV Globo que a lobista é uma "pilantra muito grande", que teria enganado muitas pessoas.
No debate, respondeu a Flávio Bolsonaro afirmando que Roberta Luchsinger "é problema da Polícia Federal".























